LER, TENDINITE, TOME CUIDADO NO ESTUDO

Aí decido viver de música, me matriculo em um curso de guitarra, percebo que só vou ter sucesso com essa nova atividade se estudar muito, muito mesmo. Na empolgação da novidade passo horas e horas tocando sem perceber, mas é tão legal tocar, estudar e ver os resultados dos dias de treino aparecendo que não penso em largar nem por um segundo de hora vaga. Depois de meses de estudos insanos percebo um incômodo, não chega a ser uma dor, é mais uma espécie de ardência ou queimação nos braços e mãos. Até então tudo bem, esse incômodo fica presente durante o estudo, é só parar que passa. Na medida que o tempo passa e a evolução na guitarra aparece, preciso de mais horas estudando, até que o incômodo vira dor permanente. Descer e subir uma escala ficou muito difícil, segurar objetos com mais força também causa dor. Pois bem, agora é tarde e a LER me pegou.

Esse não é um exemplo qualquer. É um pouquinho da minha história com a guitarra e eu fiz exatamente o que descrevi anteriormente. Não foi por falta de avisos do professor. A busca pela técnica era tão grande que achava que com 16 anos eu não tinha tempo a perder e tinha pouquíssimo tempo pra virar uma “Malmsteen”. As mesmas reclamações de dor e desconforto que fiz, ouço hoje em dia dos meus alunos.

A sigla LER quer dizer lesão por esforço repetitivo. Tendinite é a inflamação dos tendões e pode ocorrer em qualquer parte do corpo.

No meu caso, a coisa foi um pouco mais séria, por causa da postura e pouca musculatura no braço acabei desenvolvendo um trauma chamado Doença de Kienbock, onde o tratamento cirúrgico é o procedimento mais eficaz porém com riscos, ou a eterna fisioterapia e diminuição severa do esforço. Doença de Kienbock, sendo mais direta, é uma lesão na altura do punho, acontece quando há grande esforço e pouca irrigação sanguínea no local. Nesse caso, estudar loucamente como se o mundo fosse acabar amanhã não é mais uma opção.

O melhor tratamento no caso da tendinite, LER e outras lesões ainda é a prevenção, fazer as pausas para descanso entre as horas de estudo, por exemplo: em uma hora, estude 45 minutos e descanse quinze minutos. Compressas de gelo/quente e principalmente alongar-se antes de pegar na guitarra são hábitos que devemos adotar diariamente. A musculação me ajudou muito também.

Imagine que tocar um instrumento é como praticar um esporte, você vai precisar se aquecer, se alongar se quiser evitar alguma lesão. Este vídeo explica de uma forma mais prática a tendinite e as precauções contra ela:

Lembre-se que no fundo o que importa mesmo é a qualidade com que você estuda e não quantas horas passa com a guitarra na mão. Claro que se você conseguir estudar mais e manter a qualidade é excelente, então lembre de manter o foco.

Bons estudos!